BdP. Banca, dividendos e fundos da UE trazem forte deterioração às balanças

Saldo das balanças corrente e de capital passou de -49 milhões para -933 milhões e balança financeira afundou de -158 milhões para -1091 milhões

O saldo global da balança de pagamentos da economia portuguesa agravou-se de forma expressiva nos primeiros seis meses do ano. Nas balanças corrente e de capital o saldo global deteriorou-se de 49 milhões negativos para 933 milhões negativos até junho e, juntando a estas duas a evolução do saldo da balança financeira, a deterioração é ainda mais grave, de acordo com dados do Banco de Portugal agora atualizados.

Os bons números registados pelo turismo ao longo deste ano têm sido assim insuficientes para compensar as fortes deteriorações que se vão registando nos balanços da restante economia, onde a queda dos fundos europeus ou o impacto da entrada de vários investidores estrangeiros nas principais empresas – e a saída de dividendos das mesmas para o estrangeiro – começa a ficar cada vez mais evidente.

Considerando as três balanças – corrente, de capital e financeira -, a economia portuguesa passou de um saldo global de -207 milhões de euros no primeiro semestre de 2015 para -2024 milhões de euros, no mesmo período deste ano. Os saldos de todas as balanças pioraram no semestre, mas foi a financeira que registou a maior deterioração. 

O turismo e o comércio internacional

De acordo com o supervisor bancário, “no primeiro semestre de 2016, o saldo conjunto das balanças corrente e de capital situou-se em -933 milhões de euros, que compara com um saldo de -49 milhões de euros observados no mesmo período de 2015”. Para esta deterioração concorreram “todas as componentes da balança corrente e de capital”, com exceção da balança de bens e serviços, que beneficiou do saldo positivo das “viagens e turismo”, que subiu 11,5% no período, mostra o BdP.

O efeito positivo do turismo nas contas portugueses é notório na melhoria conseguida no saldo da balança de bens e serviços, cujo excedente cresceu 30% no primeiro semestre do ano, de 794 milhões para 1037 milhões de euros. 

Além do turismo, que ajudou a manter o nível do saldo global dos serviços nos 5,12 mil milhões positivos até junho, também a “a redução das importações em 2%”, superior ao “decréscimo de 1,3% das exportações”, ajudou a reduzir o saldo global dos bens, de -4,33 mil milhões para -4,09 mil milhões. 

Empresas, bancos e fundos europeus

Além da ligeira redução do saldo positivo na relação entre as remessas de emigrantes e imigrantes, que caiu de 1,3 mil milhões para 1,22 mil milhões, as melhorias registadas nas rubricas dos bens e serviços da balança corrente foram anuladas pela deterioração registada no saldo do “Rendimento Primário”, nota o BdP, que se agravou em 500 milhões de euros. 

“O défice da balança de rendimento primário totalizou 2906 milhões de euros aumentando quase 500 milhões de euros em relação ao ano passado. Esta evolução é resultado do aumento dos lucros atribuídos a não residentes em consequência do aumento da rendibilidade do investimento direto”, esclarece o supervisor. Só esta rubrica pesou mais 498 milhões na balança corrente, mais do que anulando assim o bom comportamento das restantes rubricas – no total o saldo da balança corrente agravou-se em 425 milhões. 

Avançando para a balança de capital, os números do Banco de Portugal mostram que o saldo global desta caiu 43% no primeiro semestre do ano, de 1066 milhões para 607 milhões de euros, uma diminuição que “deveu-se, no essencial, à redução dos fundos financeiros provenientes da União Europeia”. 

O BdP avança de seguida para a balança financeira, cujo saldo sofreu a pior deterioração do período – de 158 milhões negativos para 1091 milhões de euros negativos -, culpa dos bancos residentes no país. 

“Entre janeiro e junho de 2016, o saldo da balança financeira registou uma redução dos ativos líquidos de Portugal sobre o exterior no valor de 1091 milhões de euro”, aponta o supervisor. Só em junho, destaca o BdP, registou-se um saldo de -444 milhões, culpa de “um acréscimo dos passivos dos bancos residentes” mas também da “redução dos ativos externos das instituições financeiras não monetárias, que desinvestiram em títulos de participação no capital e títulos de dívida de longo prazo”.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Dinheiro Vivo

19/08/2016