BEI emprestou 6,9 mil milhões a Portugal em quatro anos e meio

Este ano foi também assinado um contrato que prevê um empréstimo de 750 milhões para o Portugal 2020

O Banco Europeu de Investimento (BEI) emprestou mais de 6,9 mil milhões de euros para projetos em Portugal entre 2011 e agosto de 2016. Só em 2015 o montante chegou aos 1,4 mil milhões de euros, sobretudo para apoiar pequenas e médias empresas e empresas de média capitalização, com enfoque nos projetos de energia, indústria e desenvolvimento urbano.

Os projetos mais emblemáticos e que receberam maior financiamento prendem-se com a aposta nas energias renováveis e nas redes de nova geração, lançados pelo executivo de José Sócrates mas que só foram assinados mais tarde.

Já este ano o Ministério da Economia assegurou um empréstimo de 750 milhões de euros com o BEI para financiamento de projetos no âmbito do Portugal 2020, para fomentar as áreas da inovação e investigação, educação, desenvolvimento empresarial, saúde, eficiência energética e energias renováveis, melhoria de abastecimento de água e reabilitação urbana. 

Deste acordo já foram aprovados 250 milhões de euros, na área da energia, dos serviços e também da educação e da saúde. Em 2016 foi aprovado, ao todo, um financiamento de 322 milhões de euros: além dos projetos no âmbito do Portugal 2020 tiveram luz verde financiamentos como para a fábrica da Portucel em Cacia, que recebeu 25 milhões, para a energia das ondas ou para linhas de financiamento. 

Entre 2011 e 2015 a maior parte do financiamento foi destinado precisamente a financiar projetos de pequena e média dimensão. Segundo a informação disponível no site do BEI, mais de 4,1 mil milhões de euros foram canalizados para entidades com estas características, representando 62% do total do financiamento concedido. Os empréstimos foram concedidos através da criação de linhas de crédito direcionadas para PME, de vários bancos, como o BCP, o Deutsche Bank, o Montepio, o Crédito Agrícola ou o Banco Popular. 

Segue-se o setor da energia, que recebeu 12% do total de financiamento concedido pelo BEI, o equivalente a 786 milhões de euros. Os maiores financiamentos na área da energia foram em 2011. Primeiro, foi assinado com a EDP um financiamento de 300 milhões de euros para o reforço da potência de duas centrais hidroelétricas, no âmbito da estratégia de aposta nas energias renováveis desenhada pelo governo de José Sócrates, em 2007. 

Nesta linha, o BEI concedeu, no mesmo ano, um empréstimo em duas fases à Eólicas de Portugal, totalizando 260 milhões de euros e que permitiria financiar metade do projeto de 520 milhões de euros. As duas tranches, de 100 e 160 milhões de euros, tinham como objetivo a construção de 14 parques eólicos com capacidade de 354 megawatts. 

O processo foi gerido pela ENEOP, consórcio criado em 2004 com o objetivo de construir 48 parques eólicos em Portugal e que tinha como acionistas a EDP Renováveis, a Enel Green Power (ambas com 40%) e a Generg (20%). O ano passado, a EDP Renováveis comprou a participação que ainda não detinha em 12 parques eólicos e a Generg fez o mesmo em sete unidades. Já a REN recebeu dois financiamentos para modernização da rede, de 75 milhões em 2011 e de 80 milhões em 2015. 

O setor dos transportes e telecomunicações recebeu em quatro anos uma fatia de 10% do financiamento do BEI, ou seja, 630 milhões de euros. Os maiores projetos prendem-se com o desenvolvimento da rede de fibra ótica, num plano também do executivo de José Sócrates que visava levar as Redes de Nova Geração a todo o país. 

A PT conseguiu um financiamento de 100 milhões de euros em 2011 (depois de já ter garantido duas tranches do mesmo valor em 2009 e 2010), assegurando metade dos custos do projeto. Também a Zon Optimus, agora NOS, viu aprovado em 2013 um financiamento de 110 milhões de euros para a rede de fibra ótica, num projeto que totalizava os 222 milhões de euros. Já em 2015 a NOS voltou a pedir um financiamento de 200 milhões de euros ao BEI, para alargar a cobertura da rede de fibra ótica, mas o pedido ainda está a ser avaliado pelo banco europeu. 

Por fim, nas telecomunicações, a PT conseguiu outro financiamento de 140 milhões de euros para o investimento de 250 milhões de euros no data center da Covilhã, em 2011. 

Já nos transportes a principal aposta foi no desenvolvimento do Porto de Leixões, que recebeu 70 milhões de euros do BEI num empréstimo aprovado em 2011, e que previa um novo terminal de cruzeiros, uma marina e um parque de ciência e tecnologia. 

O valor global do projeto estava estimado em 155 milhões de euros. Em sentido inverso está o setor da agricultura, pesca e florestas: no período em análise não houve a atribuição de qualquer financiamento para projetos nesta área.

 

 

 

 

 

Fonte: Dinheiro Vivo

16/08/2016