Centeno: Evitar novo resgate “é a minha principal tarefa”

Ministro das Finanças garante que tudo fará para que Portugal não volte a recorrer à ajuda externa e mantém compromisso de cumprir metas orçamentais.

O ministro das Finanças garantiu este fim-de-semana que o Executivo mantém o compromisso com a Comissão Europeia de cumprir as metas orçamentais. Em entrevista à cadeia norte-americana CNBC, Mário Centeno sublinhou ainda os esforços do país para “estabilizar o sector financeiro” e “proteger os investidores”. 

Mário Centeno diz que a sua “principal tarefa” é fazer tudo o que for necessário para evitar que Portugal seja obrigado a recorrer a um segundo resgate. “O compromisso que temos na frente orçamental e na redução da despesa pública é precisamente nessa direção”, assegurou o ministro das Finanças, à margem do encontro dos ministros das finanças da Zona Euro, que decorreu em Bratislava. Um compromisso que tem levado o Executivo a ajustar o Orçamento em função das expectativas de Bruxelas: “Temo-lo feito desde o início, o Orçamento de 2016 já foi uma forte declaração nesse sentido”.

Mário Centeno diz que “apenas parcialmente verdade” que o Governo português esteja focado no consumo. Ainda que exista “um foco substancial na recuperação de rendimentos, especialmente para as famílias”, assegura que está também “a direcionar a sua política para as empresas e para o investimento”. 

  “Temos um programa muito ambicioso que visa ajudar a recapitalizar as empresas. Estamos a fazer muitos esforços para estabilizar o nosso sector financeiro, o que é crucial para o investimento e para o crescimento da economia”, afirmou o ministro das Finanças, considerando ainda que existe “uma perceção errada” de que o atual Governo português não está comprometido com um plano de reformas.    O plano de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos acordado com Bruxelas foi um dos temas da entrevista, com Mário Centeno a defender que se trata de “um plano de negócios muito ambicioso e [com] uma equipa de gestão muito profissional”. Com parte do plano a prever a emissão de dívida com elevado grau de subordinação, a colocar junto de investidores privados, o ministro confia que “o mercado vai entendê-la como uma operação muito ambiciosa e orientada para o mercado”. “Estamos confiantes em levantar os 500 milhões de dívida subordinada que temos de ir buscar ao mercado”, acrescentou.    Questionado quanto a uma eventual falta de confiança por parte dos investidores, nomeadamente depois de situações como a do Novo Banco, Centeno garante irá convencer o mercado que o Executivo está “comprometido em estabilizar o sistema (…) em fazer com o sistema financeiro funcione e claro a proteger os investidores”.                                             Fonte: Dinheiro Vivo
12/09/2016