Construção com 1% dos sistemas de incentivos às empresas

Indústria 4.0 também tem a ver com a construção, mas a associação considera que há pouca "sensibilidade" das autoridades para o tema

A construção reclama do Estado uma “nova atitude” na avaliação e gestão dos fundos comunitários que “valorize positivamente” o sector tendo em conta a sua melhoria em termos de inovação e internacionalização. Em causa está o Sistema de Incentivos às Empresas cujos dados mais recentes mostram que a construção conseguiu, apenas, aceder a 1% das verbas disponíveis. 

“Os organismos responsáveis pela aprovação dos projetos estão pouco recetivos para as questões da aplicação da economia digital ao sector da construção, com a adoção de ferramentas de representação virtual da realidade para o desenvolvimento dos projetos e para a própria execução dos processos construtivos”, diz o presidente da Associação de Empresas de Construção, Obras Públicas e Serviços (AECOPS).

Parece que gera uma certa desconfiança que as empresas de construção apresentem projetos que têm a ver com computadores, tecnologias e informática quando essa área da representação virtual da realidade é a que representa maior potencial inovador na construção”, acrescenta Ricardo Pedrosa Gomes.

Segundo comunicado hoje emitido pela AECOPS, as empresas de construção submeteram 641 candidaturas ao sistema de incentivos às empresas, correspondentes a investimentos de 122,8 milhões de euros, mas apenas 241 foram aprovadas, correspondentes a 19,3 milhões de incentivos para investimentos totais de 36,3 milhões de euros. Contratados estão 198 projetos da construção com um incentivo de 11,3 milhões de euros. Representam 5% dos 4.348 contratos assinados no âmbito do sistema de incentivos às empresas e 1% dos 1.240,3 milhões de euros de apoios disponibilizados.

A AECOPS não esconde que o número de candidaturas não é propriamente famoso, mas lembra a crise profunda do sector, que, sem obras no mercado nacional se virou para fora, mas agora se debate com as dificuldades de mercados emergentes como o angolano. O tecido empresarial “permanece em modo de sobrevivência” e está “incapaz de pensar o futuro”, diz Ricardo Pedroso Gomes.

Este responsável reconhece que o próprio sector em Portugal ainda está “atrasado” na adoção destas ferramentas, mas garante que elas serão essenciais no futuro. Até porque, há já mercados, como o dos países escandinavos, onde a contratação de obras públicas já está dependente da utilização destas ferramentas tridimensionais de representação da realidade.

 

 

 

 

Fonte: Dinheiro Vivo

04/08/2016