Costa admite que Portugal não evitará multa de Bruxelas

Os comissários europeus anunciam esta quarta-feira a decisão sobre a multa financeira a aplicar a Portugal. Costa admite que cenário é pouco animador

Depois de algumas semanas de otimismo e de confiança em relação a uma multa simbólica, António Costa admite, em declarações ao jornal Público, que Portugal dificilmente conseguirá evitar uma penalização de Bruxelas.

“Aparentemente [a situação] não está muito simpática para Portugal”, disse o primeiro-ministro, admitindo uma mudança de posição de alguns comissários europeus que inicialmente rejeitavam a aplicação de sanções a Portugal.

O valor máximo de multa a aplicar é de 0,2% do PIB, cerca de 360 milhões de euros. Mas António Costa diz que neste momento não vale a pena “atirar o barro à parede”.

A decisão está a ser tomada esta manhã em Bruxelas, onde os Comissários Europeus estão reunidos para decidir o futuro de Portugal e Espanha. Portugal deveria ter fechado 2015 com um défice de 3%, mas incumpriu a regra em 0,2 pontos percentuais. “Um desvio de 0,2 pontos percentuais não pode ser atribuído a falta de ação efetiva”, disse Costa.

“Mantemos um registo de diálogo positivo e sem dramas, mas recorreremos, com base no mesmo argumento que os nórdicos têm utilizado que é o de vamos cumprir as regras, mas vamos discutir quais as regras e se as cumprimos ou não”, disse António Costa ao Público.

O primeiro-ministro lembra que, “ao contrário do que dizem, houve por parte de Portugal uma ação efetiva de combate ao défice” e que “basta ver o que aconteceu entre 2011 e 2015”, anos do ajustamento financeiro negociado entre os credores internacionais (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional).

 

 

 

Fonte: Dinheiro Vivo

27/07/2016