Draghi. “É preciso mais investimento e reformas estruturais”

Numa intervenção no parlamento alemão o presidente do BCE também frisou que a baixa rentabilidade dos bancos não é culpa da política monetária.

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou hoje no Bundestag, em Berlim, que é preciso mais investimento e reformas estruturais para motivar o crescimento e a produtividade, para que as taxas de juro possam subir. 

Na sua intervenção inicial, o presidente do BCE frisou a necessidade de um “crescimento económico de longo prazo para que as taxas de juro voltem a níveis mais elevados” e voltou a apelar aos governos para fazerem a sua parte. “É preciso mais investimento e reformas estruturais para motivar o crescimento e a produtividade, para que as taxas de juro possam subir”.

“Temos de garantir que não só o euro sobrevive mas que a União Monetária e Económica se desenvolve”. E, disse Draghi, para ter sucesso é preciso encontrar soluções comuns para o problema que a Europa enfrenta. “Se quisermos preservar o modelo europeu temos de trazer o emprego e o mercado para a realidade global e digital do século XXI”, criar oportunidades de investimento, aumentar a produtividade e o emprego e avançar com reforças estruturais “necessárias para complementar a política monetária”. 

  “Digo isto a cada seis semanas na conferência do BCE”, desabafou.    Draghi falava aos deputados alemães para explicar a política monetária do BCE, numa altura em que as visões do presidente do banco central sobre a política monetária, as taxas de juro muito baixas e o papel que a Alemanha deve ter na Europa devido ao superavit têm suscitado muitas críticas de parlamentares daquele país.    É a primeira vez em quatro anos que o Draghi enfrenta os parlamentares alemães e garantiu que “a zona euro está agora em melhor forma”.    Mario Draghi afirmou querer ouvir as preocupações dos alemães em torno da política monetária mas defendeu que “as nossas medidas de apoio à recuperação económica e criação de emprego vão, em última análise, beneficiar os pensionistas alemães e quem tem poupanças” e que o que interessa para a poupança não é a taxa de juro nominal mas a real – taxa de juro nominal menos a inflação.    Draghi defendeu que “a nossa política monetária não é o principal fator da baixa rentabilidade do sector bancário”, numa altura em que a solidez do Deutsche Bank está envolta em rumores, noticiados em vários jornais alemães e entretanto desmentidos pelo executivo berlinense. “Os que culpam o BCE da performance de algumas empresas financeiras alemãs têm sido muito vocais mas esquecem-se de que muitos bancos foram capazes de mais do que ultrapassar o efeito da queda das receitas com maiores volumes de empréstimo e menores despesas”.    “Enquanto o modelo de negócio de alguns bancos precisam de se adaptar ao ambiente de baixas taxas de juro este também tem de endereçar questões estruturais, como o excesso de capacidade, o malparado e o impacto da inovação tecnológica. A baixa rentabilidade está muito ligada à eficiência operacional”, lembrou.    Apesar do peso dos custos nas receitas ser relativamente alto na Alemanha comparado com outros países Draghi lembrou que não há uma fórmula para todos os bancos e que há diferentes tipos de banco que estão a operar com sucesso na Alemanha e na zona euro. O responsável, contudo, admitiu que as baixas taxas de juro, durante um longo período, podem penalizar as avaliações.                                                         Fonte: Dinheiro Vivo
28/09/2016