Empresas portuguesas doaram 139,8 milhões de euros em 2014

Grandes empresas aumentaram em 38% o valor dos donativos. Cerca de 45% dos donativos registados tem origem nas PME e 55% nas grandes empresas

Em 2014, os donativos das empresas portuguesas ascenderam a 139,8 milhões de euros, com 57.408 empresas (20% do tecido empresarial português) a registarem donativos nas suas contas.

Os números são do estudo ‘O papel das empresas na comunidade – retrato dos donativos em Portugal’ da Informa D&B, em parceria com a Sair da Casca, e revelam que este valor equivale a 1,8% dos resultados das empresas antes de impostos, superior à média internacional, que se situa nos 1,04%, segundo a análise do London Benchmarking Group publicada em novembro de 2016.

A distribuição dos donativos pelas empresas regista grande paralelismo com a estrutura do próprio tecido empresarial, com um reduzido número de grandes empresas (0,7% entre todas as que fazem donativos) a assumirem 55% do total de donativos, com uma média de 182 mil euros por empresa.

Por outro lado, a esmagadora maioria (96%) das empresas que efetuam donativos regista uma contribuição média de 381 euros. As micro empresas (empresas com volume de negócios inferior a 2 milhões de euros) constituem a maioria (85%) das empresas que efetuam donativos e são também o segundo segmento que mais contribui para o total de donativos (21%).

Segundo Teresa Cardoso de Menezes, diretora geral da Informa D&B, “os donativos das grandes empresas representam mais de metade do valor total e permitem apoiar grandes projetos, garantindo a própria sustentabilidade desses projetos; mas, por outro lado, existe um grande potencial entre as PME quanto ao seu contributo futuro, pela dimensão que assumem em número de empresas”.

Quatro setores geram 71% de todos os donativos

Os setores do Retalho (26%), Gás, eletricidade e água (18%), Indústrias transformadoras (14%) e Grossista (13%) geram 71% do montante total de donativos. O setor do Gás, eletricidade e água é aquele onde a média de donativos efetuados pelas empresas atinge a quantia mais elevada (quase 70 mil euros por ano).

Estes números referem-se a empresas com atividade comercial e, dada a diferença na natureza do reporte financeiro, não inclui Banca e Seguros, que foram analisadas à parte. Entre as 71 instituições bancárias e de seguros analisadas, 37 (27 na banca e 10 nos seguros) registam donativos, num valor global de 23,9 milhões de euros, o que indicia o maior peso relativo destes setores em matéria de donativos.

Lisboa em destaque

O valor dos donativos está bastante concentrado, com as empresas da Área Metropolitana de Lisboa a reunir 56% do total, seguida pelo Norte (25%) e pelo Centro (11%), apesar de estas duas últimas regiões registarem maior percentagem de empresas que fazem donativos: 37% e 29%, respetivamente, contra 20% da Área Metropolitana de Lisboa.

O estudo da Informa D&B demonstra ainda que o montante dos donativos tende a aumentar à medida que aumenta a idade das empresas.

Voluntariado e luta contra o desperdício alimentar ganham terreno

Para além da análise quantitativa da Informa D&B, a Sair da Casca procurou saber junto das empresas que realizam donativos quais as práticas que privilegiam. Em geral, as empresas estão a evoluir para uma estratégia de filantropia cada vez mais bem organizada, com empresas que querem contribuir não apenas com financiamento, mas também com competências, e que manifestam o seu interesse em seguir o desenvolvimento dos projetos.

Segundo Nathalie Ballan, Partner da Sair da Casca, “a próxima etapa para maximizar o impacto social dos donativos empresariais deveria passar pelo investimento social em que a empresa assume um papel ainda mais ativo de investidor, que está à espera de um retorno, mesmo que a longo prazo. Este formato permitirá reciclar o dinheiro dos donativos, criar parcerias fortes entre os diferentes setores empresarial, social e público, e será uma alavanca para entidades do setor social poderem desenvolver a sua atividade geograficamente ou criando novas competências e soluções”.

Voluntariado

O Voluntariado tornou-se uma prática consolidada e integrada de 83% das organizações analisadas, criando oportunidades para os colaboradores conhecerem melhor o setor social e o contributo que podem ter, num contexto em que Portugal ainda faz parte dos países em que os cidadãos menos aderem a esta prática. Ainda assim, esta prática em Portugal está longe da média europeia: na Europa, 24% das pessoas com mais de 15 anos fazem voluntariado, valor que em Portugal é apenas de 11,5.

Combate ao desperdício alimentar

Segundo o estudo realizado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e a Missão Continente (2016) – ‘Primeiro Grande Inquérito sobre Sustentabilidade’, o combate ao desperdício tornou-se um grande consenso nacional e uma preocupação generalizada dos portugueses. E a partir de 2015, a luta contra o desperdício começou a ter protagonismo nas empresas, de forma mais premente nas áreas da indústria de transformação alimentar e no retalho.

Educação e solidariedade

As causas que as empresas mais referem são a Educação e a Solidariedade, seguidas do Ambiente, Saúde, Cultura e Desporto. Se em 2008 era incontornável mostrar o papel solidário e reativo das empresas a situações de grande urgência social, hoje há uma nova dinâmica, mais positiva, que aposta na educação, na empregabilidade e formação e na igualdade de oportunidades.

Melhores práticas e transparência

Um pequeno grupo de grandes empresas, muito relevante pelos montantes de donativos atribuído ao setor social e à cultura e pela sua capacidade de inovação social está a promover novas atitudes. Começaram nos últimos anos a implementar uma série de prémios/concursos e outras iniciativas que permitiram a todas as entidades sociais competirem em igualdade de circunstâncias, de forma muito transparente e em alguns casos com um compromisso do promotor do Prémio num apoio plurianual, que representa um fator de estabilidade para as organizações beneficiárias.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Jornal Económico

29/11/2016