Eurogrupo vai anular suspensão da reestruturação da dívida grega

Num tweet este sábado Jeroen Dijsselbloem diz que suspensão vai poder ser levantada

Jeroen Dijsselboem, presidente do órgão de ministros de Finanças do euro, escreveu num tweet este sábado que as dúvidas tinham sido esclarecidas com Atenas e que vai poder ser revista a suspensão da implementação das primeiras medidas de uma nova reestruturação da dívida grega a partir de 1 de janeiro de 2017.

“Estou feliz por concluir que se abriu o caminho para o Mecanismo Europeu de Estabilidade avançar com os procedimentos de decisão para as medidas de curto prazo [de alívio da dívida helénica]”, escreveu o ministro holandês, acrescentando que recebeu uma carta “na qual o meu colega grego confirmou o compromisso com os acordos anteriores”.

Uma fonte oficial do Eurogrupo disse, depois, à Reuters que “as significativas preocupações iniciais, tanto quanto ao processo como em relação ao essencial, ficaram atenuadas com esta carta [do ministro Tsakalotos] no que se refere aos compromissos do Memorando de Entendimento. Neste contexto, os procedimentos de tomada de decisão formal do Mecanismo Europeu de Estabilidade e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira no que se refere às medidas de curto prazo [de alívio da dívida grega] serão desenvolvidos em janeiro”.

O Eurogrupo volta a reunir-se em janeiro e poderá, então, ser confirmada a decisão de levar a cabo a primeira fase da segunda reestruturação da dívida grega. Resta saber qual vai ser a posição final da Alemanha.

Um porta-voz do presidente do Eurogrupo tinha comunicado a 14 de dezembro que aquele órgão informal de ministros das Finanças do euro havia decidido suspender a primeira fase de medidas de reestruturação da dívida grega em virtude de duas decisões do governo de Atenas que o ministro das Finanças alemão considerou violarem os acordos. O Eurogrupo revelou-se, então, profundamente dividido. A decisão de avançar com a implementação das medidas de curto prazo para a reestruturação da dívida helénica foi aprovada na reunião do Eurogrupo de 5 de dezembro.

Em virtude das divisões que vieram a público e do impasse no Grupo de Trabalho do Eurogrupo (EWG, na sigla em inglês), Thomas Wieser, o responsável pelo EWG, propôs que o ministro das Finanças grego Euclid Tsakalotos enviasse uma carta explicando o contexto das medidas tomadas pelo seu governo. O documento confirmaria que o pagamento este ano de um subsídio a 1,6 milhões de pensionistas com reformas mensais até 850 euros é extraordinário, derivado do excedente orçamental previsto para 2016, e que a suspensão da subida em 30% do IVA nas ilhas mais afetadas pela vaga de refugiados é apenas para 2017.

Na reunião do EWG da semana passada, Áustria, Eslováquia, Eslovénia, Finlândia e Holanda reafirmaram a sua oposição às duas medidas tomadas pelo governo de Atenas e a Alemanha foi mesmo mais longe exigindo que tal decisão seja prolongada até à conclusão da segunda revisão do andamento do programa de resgate.

 

 

 

 

 

Fonte: Expresso

28/12/2016