Portugal 2020 “Mapa do sistema de incentivos no Centro é preocupante”

“Não há procura onde não há tecido económico”, alertou presidente da Comissão de Coordenação da Região, Ana Abrunhosa.

O mapa dos sistemas de incentivos na região centro é “muito preocupante”, apesar de já terem sido aprovados 2130 projetos correspondentes a 1,7 mil milhões de euros, com apoios comunitários de 836 milhões, garante a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, Ana Abrunhosa. “Não temos aprovações se não há procura, e não há procura onde não há tecido económico”.

Aveiro é a zona mais dinâmica – tem quase 27% dos projetos apoiados na região Centro, correspondente a 463 projetos aprovados e a 500 milhões de investimento -, seguida de Leiria. É nas regiões do interior que as preocupações surgem. A dúvida está em como agir. Para Ana Abrunhosa, que falava na terceira Conferência Popular 2020, que decorreu em Aveiro, a solução ideal passará por uma melhor adequação dos sistemas de incentivos à realidade local. “Teremos que trabalhar nessas frentes”, defende.

Mais preocupante ainda são as taxas de reprovação das candidaturas submetidas aos sistemas de incentivos de Investigação e Desenvolvimento (I&D) e que na região são da ordem dos 90%. E o principal diagnóstico, realizado em colaboração com a Agência Nacional de Inovação, é que 60% destas reprovações ocorrem por questões meramente formais, de preenchimento das candidaturas e não com a análise do mérito do investimento. Mais grave ainda é que mais de 90% dos projetos são submetidos no limite do prazo, o que não permite que sejam devidamente alterados quando o erro é detetado. “Eu nunca correria este risco num projeto que considerasse estratégico”, alertou a presidente da CCDR-C.

Feito o diagnóstico, a Comissão de Coordenação e a Agência Nacional de Inovação estão a promover sessões conjuntas de formação com as empresas, universidades, centros tecnológicos e politécnicos para ajudar a ultrapassar estas dificuldades. “Os projetos de I&D em co-promoção e os projetos demonstradores são complexos, mas são fundamentais para a economia regional. É através deles que se introduz conhecimento e tecnologia nas empresas, se inova no produto e na organização. Vamos ser capazes de inverter esta situação. Além do mais, isto é uma espécie de curva de aprendizagem”, diz Ana Abrunhosa, que recomenda o amadurecimento das candidaturas e a sua entrega a tempo.

Miguel Cruz, presidente do IAPMEI, lembrou, por seu turno, que a procura dos incentivos do Portugal 2020 é “muito elevada”. O que poderá fazer antecipar a necessidade de uma reprogramação dos fundos, mas essa questão só se deverá colocar no próximo ano. Em termos de sistemas de incentivos sob a alçada do IAPMEI, foram já aprovados 3300 projetos, correspondentes a investimentos de 2,5 mil milhões e a incentivos de 1,5 mil milhões de euros. Pagos foram 250 milhões.

Economia digital, organização das empresas e eficiência energética são as principais áreas de investimento, mas também as certificações, sobretudo para acesso a determinados ou clientes, e, crescentemente, investimentos no domínio da responsabilidade social, diz Miguel Cruz. Pedro Cunha, administrador do Banco Popular, lembrou que Portugal “está numa encruzilhada” e que, “sem investimento, a economia não irá crescer aquilo que todos desejamos”, sublinhando que é uma questão de se “estabelecerem parcerias entre os bancos e os empresários”.

Victor Ribeiro, presidente executivo da Global Media, apontou o défice da balança comercial e que o país precisa de uma indústria “mais forte, mais inovadora, mais competitiva” e que coloque os produtos made in Portugal “nos melhores palcos do mundo”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Dinheiro Vivo

17/10/2016