Portugal foi pioneiro na captação de Fundos da UE para a Economia Social

Portugal está a dar cartas na Economia Social.

Nick O’ Donohoe, vice-presidente do GSG - Global Social Impact Investment Steering Group, sublinha, em declarações ao Expresso, o papel “importante” que o nosso país está a ter neste sector, sobretudo através da “forma como acedeu a fundos da União Europeia para se capitalizar”. “Mais ninguém conseguiu fazer isto assim. É um precedente muito importante para todos os países na Europa”, afirma.

Embora o Reino Unido seja um dos pioneiros nesta matéria, tendo lançado o primeiro título de impacto social no mundo, em 2010, sob o nome oficial One Service, Portugalfoi o primeiro país europeu a criar uma estrutura, traduzida na Iniciativa Portugal Inovação Social que está a gerir EUR150 milhões de Fundos da União Europeia.

O investimento social refere-se ao investimento em organizações e empreendedores que desenvolvem soluções para a resolução de problemas sociais, garantindo retorno financeiro e impacto social.

Este responsável esteve em Lisboa em julho, no Encontro Anual do GSG que decorreu durante dois dias na Fundação Calouste Gulbenkian e contou com cerca de 250 participantes internacionais que representam os principais fundos de investimento social, investidores institucionais e líderes políticos e empresariais de diversos países.

“O facto de em Portugal haver um subsidiador, neste caso o Estado, é um sinal muito importante para outros países. E é por isso que esta reunião do GSG aconteceu aqui”, sublinhou Nick O’ Donohoe que é também presidente da Dormant Assets Commission (comissão de contas adormecidas , ou seja, que ninguém reclama), diretor de investimento da Bill and Melinda Gates Foundation e foi membro do comité executivo da JP Morgan e responsável pela Big Society Capital, fundada no Reino Unido para investir na criação de um mercado de investimento social.

Para O’ Donohoe, o trabalho neste sector está a dar frutos. “Passou-se da retórica à realidade. “A GINN (Global Impact Investment Organization) acredita que haverá 12 mil transações de investimento social este ano em todo o mundo, três vezes mais do que as registadas em 2014. Ao todo, haverá 17 mil milhões de dólares (cerca de EUR15,2 mil milhões) investidos em impacto social, versus 10 mil milhões (cerca de EUR8,9 mil milhões) em 2010”, elenca.

O desafio agora, acrescenta, “vai ser continuar a fazer crescer este ímpeto, o que requer apoio contínuo dos governos”. E dá o exemplo português. “O que se vê aqui em Portugal é um grande apoio por parte do Governo no sentido de ajudar a desenvolver fundos e pagar pelos resultados dos títulos de impacto social. Este tipo de apoio é importante”.

Também foi o Reino Unido “o primeiro país do mundo a introduzir benefícios fiscais para os investimentos sociais e foi o pioneiro a usar e a subsidiar títulos de impacto social”, destaca. O’ Donohoe é um defensor dos Títulos de Impacto Social. “É um ganho para todos. Ganham as pessoas que os subsidiam, com resultados mais eficazes e baratos. Ganham os investidores porque têm a oportunidade de investir diretamente nos resultados. E também ganham as organizações que promovem estes projetos porque criam escala”, acrescenta.

Em Portugal, o primeiro e ainda único Título de Impacto Social foi anunciado no início do ano passado, pelas mãos da Fundação Calouste Gulbenkian (investidor) e da Câmara de Lisboa, que se uniram para lançar a Academia de Código Júnior, um programa de ensino de programação informática para crianças do 1º ciclo.

Ao contrário dos tradicionais apoios sociais, neste caso o investidor assume o risco e financia o projeto. Caso sejam alcançados os resultados pretendidos, a Câmara Municipal de Lisboa irá reembolsar a Fundação Calouste Gulbenkian pelo capital investido.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Portugal 2020

08/08/2016