Portugal vs Espanha. Crise idêntica, recuperação nem por isso

Portugal e Espanha viram as suas economias afundar durante a crise das dívidas soberanas mas estão a recuperar a ritmos diferentes.

Em 2012 a economia espanhola afundou mais do que a portuguesa mas um ano depois o país liderado por Mariano Rajoy já conseguia atingir indicadores menos negativos do que Portugal – que estava ainda sob o programa de ajuda externa. Esta ‘descolagem’ manteve-se até hoje e tudo indica que Espanha irá continuar a recuperar de forma mais robusta, no próximo ano. 

A grande divergência no caminho registado pelas duas economias começou a verificar-se em 2015, com a chegada de António Costa ao poder, segundo observa o economista-chefe do Berenberg Bank, Holger Schmieding, que aponta o dedo à reversão de algumas medidas de austeridade tomadas pela anterior maioria governamental e a outras que visaram a reposição de rendimentos.

“Desde então, o primeiro-ministro António Costa atualizou o salário mínimo, o aumentou do número de feriados e impulsionou a remuneração dos funcionários públicos [através da reversão dos cortes salariais], refere Holger Schmieding, acentuando a desaceleração do crescimento e a quebra no investimento entretanto verificada.

Neste contexto, o alerta da agência de rating DBRS (a única que mantém a classificação da dívida portuguesa acima do nível de ‘lixo’) é encarado por este analista como um “último tiro de aviso” de que está preocupada com o fraco desempenho da economia e com a ausência de medidas que indiciem vontade reformista. 

Olhando para Espanha, Holger Schmieding vê uma fotografia diferente, em que a economia soube ignorar o impasse político e consegue crescer a um ritmo de 3% – o que a coloca entre as mais robustas dos países que integram a zona euro. Mas a análise do economista-chefe do Berenberg Bank, citada pela Bloomberg, também deixa alguns avisos aos espanhóis acentuando que se o impasse político (que dura já há oito meses) se mantiver, isso acabará por reduzir a atenção do país das reformas estruturais que são necessárias e dos esforços de redução do défice público.

O debate para a investidura de Mariano Rajoy como presidente do novo governo está agendado para 30 de agosto, ocorrendo a primeira votação no dia seguinte. Se não conseguir maioria absoluta, a votação é repetida a 2 de setembro, bastando-lhe então uma maioria simples para ser eleito.

Na passada sexta-feira, dia 19 de agosto, Partido Popular (PP) e o Cidadãos assinaram um acordo anticorrupção que dá início às negociações para o que o movimento de Albert Rivera vote “sim” à investidura de Mariano Rajoy na chefia do governo espanhol. O secretário-geral do Partido Socialista Operário Espanhol, Pedro Sanchez, garantiu que estará disposto a reunir-se com o presidente do governo em funções, embora tenha voltado a deixar claro que o PSOE vai votar “não” à posse de Rajoy e também ao orçamento geral do Estado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Dinheiro Vivo

25/08/2016