Presidente da Bolsa quer incentivos fiscais em 2018

Paulo Rodrigues da Silva acredita que o próximo Orçamento do Estado vai incluir medidas para incentivar a poupança.

Chegou à Bolsa de Lisboa há exatamente um mês, mas já percebeu que tem muito trabalho pela frente para ressuscitar o mercado de capitais português. Paulo Rodrigues da Silva, o novo presidente da Euronext Lisboa, diz que a responsabilidade de atrair empresas para o mercado também passa pelo governo. 

“Portugal tem uma taxa de poupança muito baixa. O endividamento do país associado a essa redução da poupança é um dos grandes problemas da economia. Isto exige medidas de natureza fiscal e ação por parte do governo”, sublinhou ontem num encontro com jornalistas.

O presidente da Bolsa lisboeta está a trabalhar com o executivo com a meta de lançar novos produtos no mercado, mas também no sentido de mudar as regras. “Há discussões em curso, mas obviamente as medidas têm de ser enquadradas no equilíbrio orçamental. As medidas que já se tomaram não chegam. 

Hoje ainda existe uma clara discriminação, porque a dívida desconta no IRC e o capital não desconta. É uma situação perversa. E com os depósitos a zero, o incentivo à poupança através do mercado de capitais vai precisar de um empurrão.” 

Esse impulso pode chegar mais depressa do que o esperado. “Temos a expectativa de que no Orçamento do próximo ano já seja possível incorporar alguns incentivos fiscais aos investimentos de longo prazo.”   A proposta que a Euronext apresentou às autoridades passa pela atribuição de incentivos em sede de IRS a investidores que apliquem as poupanças em aumentos de capital, novas entradas de empresas do mercado e instrumentos de investimento coletivo.    “Para aumentar a poupança terá de haver incentivos fiscais para investimentos de longo prazo, isso é um princípio aceite por todos, governo, reguladores e emitentes. A questão é como e quando”, observa o presidente da Euronext.    Maria João Carioca, antecessora de Rodrigues da Silva, tinha avançado no final do ano passado que havia quatro empresas a estudar a entrada no mercado de capitais.   O presidente da Euronext considera “muito difícil” que todas entrem na Bolsa neste ano, mas salienta que já é “importante ter empresas a considerar” a hipótese e a preparar o momento. 

A Euronext tem atualmente em curso os programas FamilyShare e TechShare, com o intuito de esclarecer as empresas familiares e tecnológicas sobre as vantagens do mercado de capitais como alternativa de financiamento. 

Paulo Rodrigues da Silva acredita que o maior potencial está nos setores do turismo, agroalimentar e indústria química. O futuro da Bolsa portuguesa, conclui o líder da Euronext, está nas pequenas e médias empresas.             Fonte: Dinheiro Vivo
03/04/2017