Projetos de inovação social terão 150 milhões até 2020

O Governo vai destinar 150 milhões de euros - através do Portugal 2020 - para as instituições do 3.º setor que tenham projetos de inovação social.

Brevemente, serão aprovadas as primeiras de 57 candidaturas no âmbito do primeiro concurso do Programa de Parceria para o Impacto, que prevê até 70% do financiamento para cada ideia.

Ao JN, Filipe Almeida, presidente da Portugal Inovação Social (PIS), explica que é a PIS que vai gerir esta fatia dos 150 milhões, através de quatro instrumentos. Um que é direcionado para investir nas competências de gestão das organizações que se candidatam, formando equipas; um segundo que pode financiar até 70% de cada projeto; outro que reembolsa as ideias com bases nos resultados obtidos; e, finalmente, um fundo, com 95 milhões de euros, que empresta com condições mais favoráveis do que o setor financeiro.

A PIS tem em cima da mesa 57 candidaturas ao segundo instrumento (Programa de Parceria para o Impacto), isto é, projetos que pretendem conseguir até 70% da verba necessária para serem exequíveis (os restantes 30% terão de vir de entidades privadas, como empresas, ou entidades públicas, como as câmaras municipais).

"São diversos os projetos, desde o combate ao isolamento social entre os mais velhos até a ideias que visam combater o desemprego, e os que serão aprovados esgotarão a dotação de sete milhões deste primeiro concurso", avançou Filipe Almeida, acrescentando que as candidaturas chegam do Norte, do Centro e do Alentejo.

Os restantes instrumentos estão a funcionar [ver caixa ao lado], à exceção do fundo, que "apenas começará no final do ano".

3.º setor com algumas reservas

Do lado do 3.º setor, a expectativa é grande, embora haja reservas, designadamente no que diz respeito ao fundo. "Por um lado, é bom, porque as condições apresentadas serão melhores do que as do setor financeiro, mas, por outro lado, é mau, porque existem condições, e todos sabemos que as instituições estão numa situação difícil e, em parte, por falta de financiamento", defendeu, por exemplo, Lino Maia, da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS).

Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias, concorda e acrescentou - relativamente aos outros instrumentos - que, apesar de tudo isto ser "muito bem-vindo", o financiamento "por cada projeto é muito pouquinho". De qualquer modo, entende que "a inovação social é o futuro, porque é preciso responder aos problemas de forma mais eficaz, mas com um custo mais baixo".

 

 

 

 

Fonte: Jornal de Notícias

29/03/2017