Renzi quer cortar fundos europeus a países que recusem refugiados

Primeiro-ministro afirmou que estados membros têm dever de contrabalançar vantagens de pertencer à UE com deveres.

O primeiro-ministro italiano afirmou esta quarta-feira que os países da União Europeia que se continuem a recusar a receber refugiados deviam deixar de receber fundos comunitários.

Matteo Renzi falava no parlamento italiano, após dados da Comissão Europeia revelarem que dos 39 00 refugiados que estão em Itália e que deveriam ser acolhidos por outros estados, segundo o plano de quotas da União Europeia, apenas 1300 chegaram aos países de destino.

"É necessário que a Itália seja a promotora de uma posição difícil em relação àqueles países que receberam muito dinheiro para pertencerem ao bloco para relançarem as suas fronteiras e que estão a esquivar-se do compromisso de realojar migrantes", afirmou o primeiro-ministro, citado pela agência Reuters.

A Itália é o destino dos migrantes que tentam chegar à Europa a partir do norte de África e já abrigou 160 mil dos 460 mil refugiados que chegaram ao país desde 2014, segundo dados do ministério do Interior italiano.

"Os aspetos positivos de fazer parte da União Europeia têm de ser contrabalançados com os deveres que daí advêm", continuou Renzi.

Entre os países que se negaram a receber migrantes estão a Polónia e a Hungria, que se opõem às quotas de refugiados por país atribuídas pela União Europeia e afirmam que acolher refugiados, principalmente muçulmanos, iria perturbar as suas sociedades.

A Grécia enfrenta um problema parecido com o de Itália, pois é o principal destino para milhares de migrantes da Síria e Médio Oriente. Dos 66 400 refugiados que deveriam ser realojados em outros países da UE, apenas 4600 conseguiram, segundo a Reuters.

Matteo Renzi tem criticado fortemente a resposta da UE a esta crise de refugiados. O primeiro-ministro afirmou que esperava que fossem tomadas medidas importantes no último encontro de líderes europeus em Bratislava, Eslováquia, onde seria discutido o brexit.

Ao invés, observou apenas "que esta paralisia frenética não trouxe nada", para além de "um documento banal com uma lista de promessas que não respondem aos desafios criados pela saída do Reino Unido [da UE]".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Diário de Notícias

13/10/2016